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quarta-feira, 12 de novembro de 2025

COISAS DE BAÚS - 9

OS PARTOS NAS AMBULÂNCIAS             

  Com uma impressionante regularidade, somos fustigados diariamente em todos os meios da nossa Comunicação Social com notícias relacionadas com a saúde, nomeadamente no que respeita às especialidades de Obstetrícia, Ginecologia e demais congéneres.
 Tomamos conhecimento das mais inusitadas situações que têm acontecido e vão acontecendo por este país da beira-mar plantado. Somos confrontados com os argumentos políticos que os casos vão suscitando, a respeito, nos «profissionais» da nossa praça. E as situações em vez de diminuir vão aumentando provocando, - «vê-se a olho nu» - uma preocupação pelas consequências nefastas que têm originado.
   Andávamos por aqui a remexer em papéis velhos, (ou papéis antigos? Agora tanto faz!) mantendo o também antigo vício de guardar tudo, na esperança de que um dia seja aproveitado para recordar ou para qualquer outro fim, quando encontramos um que, parece, foi por nós redigido a meias com o "Chefe de Redação" (Armor Pires Mota) do semanário Soberania do Povo, de 8 de janeiro de 1993, que relatou um acontecimento precisamente do mesmo género daqueles que agora nos são presenteados, passado na freguesia com uma pessoa do lugar de Brunhido, neste caso sem consequências...
    Neste mesmo apontamento verificamos (do que já não nos lembrávamos) que foi 'lavrada a nossa tomada de posse' como CORRESPONDENTE daquele semanário na freguesia de Valongo do Vouga.
       Pela curiosidade, aqui deixamos esta nota coincidente com o que se passa na atualidade. Esperamos que a digitalização esteja e seja legível. Cremos que ao clicar na imagem a mesma aumenta o tamanho facilitando e tornando viável a leitura.

sexta-feira, 18 de abril de 2025

IMAGENS DA MINHA TERRA - 6

                

CASAS COM HISTÓRIA


             Palacete da Quinta de Aguieira
                                                                

    Tendo em conta o que é descrito naquela publicação, podemos dela respigar  algumas notas históricas acerca dos edifícios que existiram ou ainda existem na área geográfica da freguesia. No que respeita à imagem do Palacete da Quinta de Aguieira, a primeira imagem acima reproduzida, aquela publicação diz-nos que "A casa dos Viscondes de Aguieira (título criado em 1872), vasta e com capela, é de tipo corrente do século XIX . A capela, posto que a frontaria seja moderna, conserva o interior antigo. O milésimo de 1735 na porta da sacristia deve ser o da sua data média. Dessa primeira metade do século XVIII é o teto e a pintura; dividido em nove caixotões e estes ocupados com cenas da Paixão, de tipo corrente. O sub-coro tem pinturas de rótulos encerrando emblemas igualmente da Paixão".
Seguem-se mais descrições da capela considerando ser o retábulo da primeira metade setecentista, D. João V final, de certa categoria com altas aletas e escultura de imagens, citando N.ª S.ª do Bom Despacho (orago daquela capela) e outras, finalizando com a referência à instituidora D. Maria Eufrásia Pacheco Teles (1690-1758). "O brasão da mesma capela que é do século passado (séc. XIX); esquartelado de Figueiredos, Pachecos, Teles e Morais".
    A segunda imagem, cujo edifício foi há alguns anos relativamente recentes demolido, como muitos se recordarão, situava-se na área hoje ocupada com um moderno edifício a seguir ao cruzeiro de Aguieira, no sentido poente,  que foi propriedade de  Guilherme de Vasconcelos, que fez parte dos poucos reformados da função pública.
    Em seguida, deparamos com uma habitação, sita no lugar de Arrancada do Vouga, a que se refere a imagem ao lado. A obra da Academia Nacional de Belas Artes faz uma "relação partindo da zona baixa, do ponto do cruzeiro. Grande casa de seis vãos no andar nobre, tendo verga direita e cimalha, o antepenúltimo formando janela rasgada e com sacada e grade de ferro de  varões anelados; os outros são de janelas de avental retangular, este pousado nas cornijas das aberturas inferiores; aos lados das janelas mísulas retangulares". 
    Esta casa foi propriedade de Alberto Henriques, que passou para seu filho Fernando Alberto Henriques e deste, o último, foi Alberto Manuel Coutinho Henriques, está situada na Rua Conselheiro Rodrigues de Bastos. Nesta rua verificam-se a existência de casas, tanto do lado direito como do lado esquerdo com caraterísticas "a que se poderiam juntar outras desaparecidas já neste século XX que demonstram a prosperidade da povoação naquelas épocas e como se congregou, nesta terra de arrancada da estrada para a serra e além Caramulo, a pequena nobreza e a burguesia  regional, posto que não fosse sede de concelho e o fossem povoações envolventes, as de Vouga, Brunhido e Aguieira".

A casa que se apresenta ao lado, foi demolida. Estava situada em Brunhido na rua junto ao lavadouro e de acesso à capela de Santo Estêvão. Ainda da obra da Academia Nacional de Belas Artes, que temos vindo a citar, diz assim:
"CASA ANTIGAS  - em BRUNHIDO. Distingue-se esta antiga vila por uma casa nada comum nesta região, em que o grés tenro é a pedra natural. São os seus vãos de granito. Deve pertencer à primeira metade do século XVIII. A fachada principal volta-se para a rua que leva à capela e a outra para um cruzamento. Tem esta duas janelas rasgadas, de lintéis e cornijas, sacada sobre mísulas, ligando-se-lhes as janelas inferiores, que são de avental. As grades de ferro datam do século XIX, posto que tenham certo aspeto de mais antigas, encerrando monograma formado por dois JJ".
Seguem-se outras descrições sobre cunhais, varanda, parapeito e outras definições da respetiva construção, rematando coma indicação de que "não tem infelizmente brasão". "Reempregaram em casa de tipo corrente, lintel em grés vermelho datado de 1707 ANNOS, com o letreiro: EV ANT/ROIZ// A FIS POR CONTA DE//MEI DA  FONSEQVA."                                             

 Sobre esta casa, que estava situada em Brunhido, foi a conhecida «Casa da Audiência» que serviu os serviços públicos do então  concelho de Brunhido,  não existindo qualquer referência na publicação que nos serviu de suporte, apenas referindo que "a antiga casa da audiência está substituída por outra sem caráter. Desapareceu o pelourinho que se levantava em cruzamento de ruas, sitio ocupado   por cruzeiro novo."                        
Sobre esta casa e o pelourinho, mais havia, certamente,  que historiar. Foi também demolida.


                      Brunhido - Casa da Audiência
                                     (demolida)

terça-feira, 26 de novembro de 2024

NOTÁVEIS DA MINHA TERRA - 4

POIS É... O HERSILGO!  
Quem é? O que faz? Onde está? 

Nós diremos ...
Que é um conterrâneo de Brunhido natural, residente em Lisboa. Um rapaz (como ele gosta de apelidar-se e aos amigos também). Inicialmente com um percurso escolar e formativo com a génese na Escola Industrial e Comercial, atual «Marques de Castilho», para onde calcorreámos caminho  juntos e que me «apanhava» na Aguieira e, de bicicleta, lá íamos «cantando e rindo».
Também juntos tivemos o primeiro emprego na fábrica de ferragens Amaro, Lda. da nossa atual vetusta cidade. Mas o Hernâni estava talhado para outros voos! Após um ano neste emprego, marcha em direção ao Porto, onde o esperava um curso proveitoso e enriquecedor no Instituto Comercial do Porto, junto à Batalha.
Dotado de grande vocação para escrita, versejar é o seu forte, ou não fosse buscar às suas ascendências  um outro ou maior talento. Publicados quatro livros deste género literário, foi guindado a um alto grau, com o comprovante dado através destas publicações e não só.
Respigamos: HERSILGO - (pseudónimo de Hernâni da Silva Gomes) nasceu no lugar de Brunhido, numa terça-feira de Carnaval, freguesia de Valongo do Vouga-Águeda onde viveu a infância e parte da sua juventude.
Teve uma formação académica sequencial e muito variada, iniciando na escola antes referida, depois no Instituto Comercial do Porto, já citado, vindo mais tarde, já em Lisboa e no decorrer da sua vida profissional a completar as licenciaturas em Economia, Auditoria e PG em Fiscalidade e Mestrado em Gestão de Projetos.
Terminado o serviço militar obrigatório e regressado de Angola, onde, no posto de Alferes Miliciano, comandou um Pelotão de Intendência, em Vila Teixeira de Sousa (agora vila de Luao no Moxico), iniciando a sua carreira profissional como Diretor Geral de empresa têxtil, com sede em Lisboa e onde se manteve no cargo durante onze anos e que era - ao tempo - extensão comercial de importante unidade industrial sedeada em Valongo do Vouga.
Entre outras ocupações, além de ter exercido  docência nas áreas de Contabilidade e Fiscalidade - foi durante vinte anos Inspetor Principal no Ministério das Finanças - e, aposentado, consultor e conferencista no âmbito da Fiscalidade e Auditoria. Também fundou e participou na gestão de empresas próprias das áreas comercial têxtil, telecomunicações,  imobiliário e agropecuária (avestruzes).
Mas sempre e desde cedo revelou queda para as Letras e em especial - Cultivando Versos - alguns publicados em jornais locais - Soberania do Povo ou Valongo do Vouga - e de que recuperando e coletando alguns, neste livro pretendeu compilar. Os títulos são:

- CULTIVANDO VERSOS
- SEMENTEIRA DE VERSOS
- VINDIMA DE VERSOS
- FÁBRICA DE VERSOS

Nestes, ainda tivemos a veleidade de colaborar, com um POSFÁCIO - a seu pedido - em verso, que nos deixou um tanto ou quanto embaraçados, porque nunca passámos por uma experiência destas, e sempre admitimos não conseguir corresponder por manifesta falta de vocação para este género de escrita. O tal Posfácio saiu assim:

Pediu o Hernâni PÒSFACIO
Em verso, se for capaz
Do que não tenho jeito.
Mas dizer não, não se faz
A um Amigo do peito.

De escorreita escrita
É escritor retumbante.
Só por aqui intervir,
Não me iguala o bastante.
O Hernâni com uma veia
De poeta - bem afinada,
Faz desta uma plebeia
Bastante desenquadrada.

Já escreveu "Cultivando Versos",
Numa primeira edição
"Nova Sementeira" lança agora,
Nascidos do mesmo chão.

Qualquer tema é um mote
Que com versos gloseia
A rima é dádiva - é dote
Correndo na sua Veia.

"...Sementes de sonho ou quimera
A leiva foi gradada
Sinto a terra preparada
Cumpro o sonho Primavera..."

Assim o Hernâni escreve
Qual estilo de grande Poeta
Como se fora um trovador
Cantata em tom semibreve
De Versos tentando a meta
Da graça e agrado do leitor.

Os temas aqui tratados
São muitos - tantos e tais,
Assuntos dos mais variados
Que o Autor recria rimando
Que frases quase banais
Em  Versos se vão moldando.

                       Fica-nos, ao menos, a intenção                     
De ao Amigo corresponder
E sem qualquer presunção
De nosso jeito - à nossa maneira
Estes simples Versos fazer
Pequenas espigas na Sementeira
Que este grande Amigo possa colher.

*
JM Ferreira/22Set2014

Seria indesculpável, nesta primeira apresentação, não deixar por cá um dos seus Poemas, ao acaso:

PONTO FINAL

A Sementeira deve acabar aqui.
As sementes que à Terra lancei
Geraram estes Versos que escrevi
Ceifando a Seara - este Livro editei.

Sei que tem um cunho muito Pessoal
Da Terra e de mim não me desprendo
Sempre puxando ao cultivo ou a Semear.
Novo - secarei essa veia a ver se aprendo
A ser mais fingidor e esotérico
Mais rebuscando na estilística - mais poético
Menos concreto - menos terra a terra e local.

Como Versejador - não uso pontuação.
Vírgulas são um empecilho - a elas digo - Não.
Ao Novo Acordo em ortografia
Às vezes - Sim - mas contrafeito
As mais das vezes por que dá mais jeito
Não - por simples hábito e tradição.
Permiti-me certa Liberdade Poética
Palavras Livres com o fito de rimar
Declamadas melhoram muito a fonética
Mas prendem o Versejador - ao Versejar.

As rimas são a corda que acorrenta
Prosa mais gostosa - sabor a sal e pimenta.
Por isso gosto de dar Versos à Prosa
Como quem cuida um jardim
Aparando os espinhos da rosa
Pico-me neles - mas afinal
Gosto de ambos mesmo assim.
Este Livro chegou ao Fim. Ponto final.

Hersilgo/Out2014