Mostrar mensagens com a etiqueta Valongo do Vouga. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Valongo do Vouga. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

NOTÁVEIS DA MINHA TERRA - 10


 

ANTONIO MARTINS RACHINHAS

VIDA TRICONTINENTAL

     
Foi no dia 9 de Outubro de 2008 que nos abalançamos a publicar, com a regularidade possível, alguns factos e histórias relacionados com a freguesia de Valongo do Vouga inseridos no blogue intitulado «Terras do Marnel». As pesquisas entretanto realizadas demonstravam-nos que havia material de sobra para “alimentar” esta iniciativa por dilatado tempo.
       E assim foi mantida até 6 de novembro de 2020, perfazendo uma longevidade de 12 anos!
     Movido e até motivado por alguns conterrâneos, demonstrando-nos que era uma mais valia manter a sua continuidade, reiniciámos esta presença cibernauta em 31 de outubro do ano findo, está a atingir um ano, com um título praticamente idêntico ao anterior, adicionando-lhe apenas mais uma palavra, surgindo, assim o «Terras do Marnel e Vouga», não sendo de estranhar o alcance intencionalmente introduzido.
    Procurou-se dar algum realce, dando o ênfase a outros motivos, e enaltecendo alguns factos que tiveram origem em pessoas  que já fizeram história na freguesia, criada por alguns conterrâneos que a distinguiram, dotando-a de meios e formas, materiais e sociais, não esquecendo os benefícios que foram proporcionados aos seus concidadãos.
    Foi nessa linha que se achou ser de inteira justiça relembrar todos os que assim procederam, nomeadamente os que fizeram história recente, «porque da lei da morte se foram libertando». Outros que permanecem no nosso convívio e que tudo fizeram para serem colocados no mesmo patamar daqueles que os antecederam.
     Relembrando o que apontamos aqui em 11 de novembro de 2024, quando se iniciou o que convencionamos ser a 2ª série de “Terras do Marnel e Vouga”, colocamos em destaque a ação desenvolvida pelo conterrâneo António Martins Rachinhas. Mais que destacar o que fez em prol de sua Terra, entendemos ser um ato de justiça trazer à liça, se não tudo, pelo menos o que, com alguma estranheza, possa vir a cair no rol dos esquecimentos.
    Se outrora as coisas não eram muito conhecidas, porque desprovidos dos mais elementares meios de registo, atualmente essa questão não se coloca. Por outro lado, entendemos que os reconhecimentos, os registos, as sessões, as homenagens também têm outro efeito, se realizadas com os seus protagonistas presentes entre nós.
   Porém, não querendo ser narcisista, podemos sintetizar a Vida Tricontinental do Rachinhas, principalmente após o seu regresso do Brasil, não enveredando por elaborar uma longa lista de factos, das coisas e dos locais onde se fizeram sentir as suas intervenções que, como chega a admitir nos quatro livros de índole pessoal e familiar, além de outros tantos sobre a história da freguesia de que foi Autor, nos quais deixa uma autenticidade genuína do seu amor intrínseco à sua Freguesia a cuja elevação a Vila muito porfiou para ser colocada no patamar onde outras localidades já se encontravam.
    Paralelamente foi de sua iniciativa a aquisição do espaço conhecido por «Terra do Moinho» em Aguieira e no mesmo fosse construído um novo templo com orago a S. Miguel. É hoje o Largo de S. Miguel, a sala de visitas da Freguesia. Chamado «Terreno do Moinho» porque nele a área era `banhada` por uma ribeira desviada do leito principal, percorrendo uma escassa centenas de metros até a um moinho, que ficava situado sensivelmente no local onde foi construída a capela, o qual era propriedade de um habitante daquele lugar de nome João da Fonseca Lemos, vulgo «João Moleiro».
   Travou uma «luta» (como lhe chamou), durante doze anos, para a criação e construção de raiz da Escola  EB/2,3 de Valongo do Vouga . Ainda na área da educação, lutou junto da Câmara Municipal pela construção de novas instalações para a Escola Primária, nascendo desta forma o prédio onde hoje funciona a  Escola de Música. Ainda nesta área junto do Secretário de Estado, formulou pessoalmente um pedido para que autorizasse a utilização do pavilhão pré-fabricado onde funcionou provisoriamente a Escola EB2,3, que serviu depois para a Escola de Música durante trinta anos.
   Envolveu-se também na criação e compra do terreno – cerca de 12.000 m2 - onde foi implantado, por ideia pessoal, o Parque de Lazer da Boiça (Aguieira).
   Dinamizou  a população de Aguieira a participar em três Orçamentos Participativos, que venceram, arrecadando mais de cem mil euros para a edificação daquele Parque de Lazer.
  Como Presidente da Assembleia de Freguesia, negociou com o proprietário a cedência do terreno necessário para a construção da rua e alargamento do «Lameirão», hoje «Praça de S. Pedro» em Valongo do Vouga.
   Fez vários contactos com a Câmara Municipal, no decorrer dos anos 80, séc. XX, sugerindo a construção de uma via, para evitar os constrangimentos à população das áreas das freguesias de Valongo do Vouga, Macinhata, Préstimo, Macieira de Alcoba e outras localidades terem de cruzar a linha do Vale do Vouga bem como a estrada nacional na Alagoa, resultando na Rua Nova do Emigrante.
   Foi autor da toponímia das ruas do lugar de Aguieira, da letra do hino da novel vila musicada pelo Valonguense, Capitão Amílcar Morais, obteve junto da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto a feitura do busto Souza Batista e foi proponente para a classificação como Monumento de Interesse Público da Igreja Paroquial (MIP), processo que continua a acompanhar junto do Ministério da Cultura. 
   Integrou ou ocupou os seguintes cargos; Presidente da Mesa da Assembleia de Freguesia, Deputado à Assembleia Municipal (três mandatos); Secretário da Comissão de Educação; Secretário da Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida; Vice-Presidente da Direção da Casa do Povo de Valongo do Vouga; Vice-Presidente do Conselho e Fundador da Comissão de Pais (Escola Adolfo Portela); Membro da Assembleia Distrital do PSD (Partido Social Democrata (três mandatos). Nesta fez valer os argumentos necessários para a nova autoestrada Águeda-Aveiro. 
   Travou aceso confronto com a Câmara Municipal e Junta de Freguesia para obstar o encerramento da Rua Visconde de Aguieira, como era desejo destas Autarquias; e com o Ministério das Infraestruturas (e até com o Primeiro Ministro) para colocar cancelas automáticas na passagem de nível do apeadeiro de Aguieira (com perspetivas de solução). 
    Cidadão Honorário da Vila , título concedido em 2013 pela Junta de Freguesia, condecorado com a medalha de ouro pelos relevantes serviços prestados à comunidade Valonguense. 
   Como o próprio afirma em resumo: FOI UMA VIDA DE SONHOS, NA SUA MAIORIA CONCRETIZADOS.
   Admite-se não serem necessários mais argumentos de elevação, a não ser retirar do eterno Camões :
 
                                            Quão doce é o louvor e a justa glória
                                     Dos próprios feitos, quando são soados!
                     Qualquer Nobre trabalha que em memória
                                     Vença ou iguale os grandes já passados.
                              As envejas da ilustre e alheia história
                                     Fazem mil vezes feitos sublimados.
                                           Quem valerosas obras exercita,
                                     Louvor alheio muito o esperta e incita. 


Largo de S. Miguel







          
                             Grupo da Boiça
Em 1º Plano: António Rachinhas; José Carlos Rachinhas; Manuel
Augusto Pereira e Luís Jesus Ferreira: De pé a partir da esquerda: 
Augusto Matos Costa; Manuel Duarte Formiga; Joaquim César 
Rachinhas (Pedro); atrás deste António Ferreira Abreu («Viseu»); 
Manuel Duarte Pinheiro, Jorge Jesus Almeida («Pintassilgo»; 
Manuel Gomes Oliveira; Manuel Borges e cap.Joaquim Miranda.




domingo, 17 de novembro de 2024

NOTÁVEIS DA MINHA TERRA - 3

                ANTÓNIO ESTIMA - AUSENTE SEMPRE PRESENTE                    

       















Ao formular a opinião e dar a conhecer os Valonguenses que procuraram enaltecer o cantinho onde nasceram, foram criados e cresceram, pensamos que sem qualquer outro pretensiosismo admitimos que o nome e a figura de António Simões Estima tem cabimento nesta espécie de inventário dos filhos de Valongo do Vouga que, por variados meios e formas, deram um contributo para o engrandecimento e prestígio desta agora vila e, certamente, que terá o consenso da maioria dos naturais destas Terras do Marnel. O título que foi escolhido, corresponde de alguma forma a uma realidade de vida que teve, pois o seu múnus profissional obrigou a que se mantivesse fora da sua Freguesia durante bastante tempo. Mas sempre se manteve fiel às suas origens e aqui veio a residir definitivamente após a sua aposentação. 
Melhor que as palavras que se deixam aqui a vaguear, o seu passado e o seu intenso interesse que manifestou pela sua terra, ficam explanadas através do livro editado no ano de 2003, com o patrocínio da Casa do Povo de Valongo do Vouga, uma das primeiras obras históricas sobre as origens de Valongo do Vouga e seus lugares, a que deu o título De UALLE LONGUM a VALONGO DO VOUGA  - SUBSIDIOS MONOGRÁFICOS. Que dedicou «EM HOMENAGEM À MEMÓRIA DO GRANDE BENEMÉRITO JOAQUIM SOARES DE SOUZA BAPTISTA», como consta numa das primeiras páginas. 
 Prefaciou o Dr. Manuel José Archer Homem de Mello, conhecida e prestigiada figura nacional, descendente do Conde d'Águeda e último proprietário da Quinta d'Aguieira, do qual respigamos: 
"Tenho para mim que, pelo menos, um número razoável de leitores será conduzido a pensar que, depois das considerações iniciais, os elogios que acaso venha a tecer ao trabalho levado a cabo pelo António Estima, tornar-se-ão mais que suspeitos, correndo mesmo o risco de "cheirarem" a louvaminha , como tal, carente de autenticidade." 
E mais adiante: "O autor excedeu-se ou, se me fosse permitido utilizar uma expressão mais coloquial, ainda que em sentido inverso ao que é de uso, acrescentaria prosaicamente: o Estima "passou-se". Na realidade, embora o conheça como poucos, sabendo-o meticuloso e trabalhador até à exaustão (qualidades de que muito beneficiei enquanto foi o meu braço direito em algumas das inúmeras  actividades que desenvolvi, confesso que não esperava que revelasse a preparação adequada à elaboração de um trabalho desta natureza, uma vez que outras foram as suas inquietações pessoais e profissionais ao longo da vida." 
Em fim de linha, escreveu também o Dr. Manuel José Homem de Mello:
"Quem de nós, por exemplo, alguma vez tomara conhecimento da "passagem" da família de Lafões pela região, assim como do conde D. Pedro Afonso, filho bastardo do Rei D. Diniz, com morada na Quinta de Brunhido (hoje lugar do Paço), na era de 1348?"
Salpica-se ainda: "Quem de nós sabia que lugarejos como a Aguieira e Brunhido - que ainda hoje não passam de lugarejos - chegaram a usufruir do estatuto municipal de sedes de concelho?"
E termina assim: 
"Ao escrever a história da sua terra, António Estima bem merece que o seu nome seja incluído na lista que elaborou  das personalidades mais gradas da freguesia."

Ainda daquele trabalho histórico ressaltam:

-António Estima nasceu a 2 de janeiro de 1926, no lugar e freguesia de Valongo do Vouga, e residiu ultimamente em Arrancada do Vouga. Fez o curso comercial na Escola Industrial e Comercial Madeira Pinto, de Águeda e frequentou o Curso Liceal no Colégio de S. Bernardo de Águeda. Em 1948 ingressou nos quadros da Direção Geral das Contribuições e Imposto do Ministério das Finanças, fazendo o estágio obrigatório na Repartição de Finanças de Águeda.

-Prestou provas públicas nacionais e foi nomeado Aspirante de Finanças. A sua progressão na carreira profissional levou-o a escrivão no Tribunal do Contencioso das Contribuições e Impostos de Lisboa, passando por perito de fiscalização tributária de 1ª classe; técnico orientador dos Serviços de Planeamento Coordenação da Administração Central nos distritos de Aveiro, Coimbra, Castelo Branco, Viseu e Guarda; integrou o grupo de trabalho de estudo para a reforma dos Serviços de Fiscalização Tributária; em concurso público nacional promovido a supervisor tributário; Por fim, foi nomeado a chefe de divisão dos Serviços de Fiscalização Tributária da Direção de Finanças de Aveiro; Aposentou-se em 1986,  após 38 anos de serviço efetivo.

-De pensamento livre e democrático é defensor de uma sociedade de valores na qual a ética, o humanismo, a competência e a responsabilidade sejam uma prática social.  

Colaborou e participou em várias instituições e cargos, de que se destacam: Presidente da Junta de Freguesia; Presidente da Mesa da Assembleia de Freguesia; vereador na Câmara Municipal; presidente da Assembleia Geral e Direção da Associação Desportiva Valonguense; presidente da Direção da Casa do Povo de Valongo do Vouga; presidente do Conselho Fiscal da Caixa de Crédito Agrícola; membro do Conselho Fiscal dos Bombeiros Voluntários de Águeda; Santa Casa da Misericórdia e Rádio Botaréu, de Águeda.

As suas principais paixões foram os negócios e viagens. Já aposentado fundou duas empresas do ramo imobiliário. Das viagens, passou quase todos os países da Europa e África, porque sempre se mostrou encantado no contacto com outras gentes, costumes e civilizações.

Uma completa e pioneira obra das origens de Valongo do Vouga, das suas gentes ilustres, dos seus lugares, Instituições e Coletividades. Sempre interessado pelo passado, animava-o o desejo de prestigiar a sua terra, contribuindo com a escrita para levar às suas Gentes um pouco da sua História.

Que aconselhamos, a quem ainda não tomou contacto com o seu conteúdo, a pedir junto da Casa do Povo um exemplar do livro.