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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

COISAS DE BAÚS - 12

 O QUE TINHA AQUI GUARDADO!!!


    Como tem sido habitual, deambulávamos entretidos por este espaço, quando deparamos com este texto que aqui estava guardado em ficheiro. 
    De origem brasileira, parece-nos bastante curioso e mostra à saciedade os caricatos hábitos de tornar difíceis as coisas fáceis. Isto é, pretender complicar a vida do vizinho que face ao fruto do seu trabalho é perfeitamente simples, aceitável, normalíssima, mas a causar náuseas a quem pela mesma vida pouco ou nada fez, por ser mais consentânea com os benefícios que dela podia obter.
    É ainda assim em muitas e variadas vertentes da vida quotidiana dos mortais. E não se pode adivinhar quando pode vir a modificar-se, quiçá a terminar. Isto podia levar-nos a considerações mais longas e pormenorizadas. Mas isso deixa-se ao livre arbítrio...


 Parábola da demissão da formiga desmotivada

Cada dia mais atual

Todos os dias, uma formiga chegava cedinho ao escritório e pegava duro no trabalho. A formiga era produtiva e feliz.
O gerente marimbondo (termo brasileiro que designa vespão) estranhou a formiga trabalhar sem supervisão. Se ela era produtiva sem supervisão, seria ainda mais se fosse supervisionada. 
E colocou uma barata, que preparava belíssimos relatórios e tinha muita experiência, como supervisora. A primeira preocupação da barata foi a de padronizar o horário de entrada e saída da formiga. Logo, a barata precisou de uma secretária para ajudar a preparar os relatórios e contratou também uma aranha para organizar os arquivos e controlar as ligações telefónicas. O marimbondo ficou encantado com os relatórios da barata e pediu também gráficos com indicadores e análise das tendências que eram mostradas em reuniões. A barata, então, contratou uma mosca, e comprou um computador com impressora a cores. Logo, a formiga produtiva e feliz, começou a lamentar-se de toda aquela movimentação de papéis e reuniões! O marimbondo concluiu que era o momento de criar a função de gestor para a área onde a formiga produtiva e feliz, trabalhava. O cargo foi dado a uma cigarra, que mandou colocar carpete no seu escritório e comprar uma cadeira especial... A nova gestora cigarra logo precisou de um computador e de uma assistente a pulga (sua assistente na empresa anterior) para a ajudar a preparar um plano estratégico de melhorias e um controle do orçamento para a área onde trabalhava a formiga, que já não cantarolava mais e cada dia se tornava mais chateada. 
A cigarra, então, convenceu o gerente marimbondo, que era preciso fazer uma pesquisa de clima. Mas, o marimbondo, ao rever as finanças, deu conta de que a unidade na qual a formiga trabalhava já não rendia como antes e contratou a coruja, uma prestigiada consultora, muito famosa, para que fizesse um diagnóstico da situação. A coruja permaneceu três meses nos escritórios e emitiu um volumoso relatório, com vários volumes que concluía: Há muita gente nesta empresa! E adivinham quem o marimbondo mandou demitir? A formiga, claro, porque ela andava muito desmotivada e aborrecida."

(Autor desconhecido)
(De origem brasileira)

 

 


quarta-feira, 12 de novembro de 2025

COISAS DE BAÚS - 9

OS PARTOS NAS AMBULÂNCIAS             

  Com uma impressionante regularidade, somos fustigados diariamente em todos os meios da nossa Comunicação Social com notícias relacionadas com a saúde, nomeadamente no que respeita às especialidades de Obstetrícia, Ginecologia e demais congéneres.
 Tomamos conhecimento das mais inusitadas situações que têm acontecido e vão acontecendo por este país da beira-mar plantado. Somos confrontados com os argumentos políticos que os casos vão suscitando, a respeito, nos «profissionais» da nossa praça. E as situações em vez de diminuir vão aumentando provocando, - «vê-se a olho nu» - uma preocupação pelas consequências nefastas que têm originado.
   Andávamos por aqui a remexer em papéis velhos, (ou papéis antigos? Agora tanto faz!) mantendo o também antigo vício de guardar tudo, na esperança de que um dia seja aproveitado para recordar ou para qualquer outro fim, quando encontramos um que, parece, foi por nós redigido a meias com o "Chefe de Redação" (Armor Pires Mota) do semanário Soberania do Povo, de 8 de janeiro de 1993, que relatou um acontecimento precisamente do mesmo género daqueles que agora nos são presenteados, passado na freguesia com uma pessoa do lugar de Brunhido, neste caso sem consequências...
    Neste mesmo apontamento verificamos (do que já não nos lembrávamos) que foi 'lavrada a nossa tomada de posse' como CORRESPONDENTE daquele semanário na freguesia de Valongo do Vouga.
       Pela curiosidade, aqui deixamos esta nota coincidente com o que se passa na atualidade. Esperamos que a digitalização esteja e seja legível. Cremos que ao clicar na imagem a mesma aumenta o tamanho facilitando e tornando viável a leitura.

quarta-feira, 19 de março de 2025

COISAS DE BAÚS - 5

GUINÉ-BISSAU 

MELANCOLICAMENTE 

Decorriam os longínquos anos de 1963/1965. Admite-se, mais concretamente, o ano de 1964. Num outro blogue de nossa autoria que passámos nas  autoestradas cibernautas, e anda estas bandas;        http://www.terrasdomarnel.blogspot.pt 
 houve oportunidade de plasmar vários apontamentos sobre este país, como se sabe ex-colónia portuguesa. 
Passado todo este tempo, ainda temos algumas imagens fotográficas daquele território de África para onde nos impunham a obrigatoriedade de ali permanecer dois anos ou mais com a justificação de que era imperioso defender as populações, os colonos, porque, dizia-se, era ali também uma parte da Nação Portuguesa.


Numa zona do mundo onde tudo faltava, mesmo naqueles idos anos, o contacto com o território, as suas gentes, o seu modo de vida, a sua cultura, fomos, em certa medida, surpreendidos.
Para se acrescentar que os militares, salvo casos menos penosos, porque cingidos a áreas urbanas de acentuada densidade populacional, formos introduzidos no território sem algumas das básicas condições.
Está, neste caso, a barbearia, concretamente o corte de cabelo. Valia-nos um prestável camarada de armas, que tendo na vida civil exercido as funções de babeiro e cabeleireiro nos ia aparando higienicamente as cabeleiras ainda jovens dos seus vinte e picos anos.
O local, claro está, ainda permanece residente na memória dos tempos. Era uma localidade que, com pouco mais ou menos uma dezena de habitações de construção europeia, ocupadas por cidadãos europeus, principalmente de Portugal com todos as comodidades mínimas, já classificada de vila de Ingoré, situada a escassos cinco quilómetros da fronteira com o Senegal, sendo servida por  uma estrada de terra batida que lhe passava pelo meio em direção a S. Domingos, já próximo de Suzana, seguindo-se Varela uma belíssima praia tropical muito frequentada por cidadãos franceses que vinham do Senegal, onde costumavam passar férias. Tivemos oportunidade de ali nos deslocarmos e lá passar umas horas de pura descontração. Esta praia apinhada de pequenas habitações, ficou abandonada logo que começaram as hostilidades com os guerrilheiros do PAIGC.
O mesmo já a memória dos tempos não conseguiu "armazenar" o nome do barbeiro da companhia que lá ia "tosquiando" os seus companheiros, para que se apresentassem perante todos, incluindo os nativos/nativas,  com a sua melhor aparência. 
E à falta de melhores condições, até à beira da estrada servia de salão e se procedia a esta metamorfose. É desnecessário identificar que o "cortado" sou eu, já com uma adequada proteção que cobria os ombros dos incomodativos cabelos que iam caindo. E, no fim, até me sentia mais leve e catita! Que acham?                                                                                                                                                                                                                                                                                                                          

segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

NOTÁVEIS DA MINHA TERRA - 9

   Eng.º JOSÉ DE BASTOS XAVIER

            
                    A residência  do Eng.º Bastos Xavier     

        O Eng.º José de Bastos Xavier foi uma personalidade marcante na vida da freguesia de Valongo do Vouga. Nasceu no lugar de Arrancada do Vouga em 29 de Outubro de 1902 e faleceu neste lugar em 25 de Março de 1976. Seus pais, recorde-se, foram António Pereira Vidal Xavier e Margarida da Silva Bastos.

            Dizia-se que tinha origens de bretão ou anglo-saxónico, que viera para o continente por sua avó que era da ilha das Flores (Açores). Os seus antepassados fixaram-se na freguesia de Valongo do Vouga e seu pai foi inicialmente funcionário público, exerceu funções de Chefe de Cantoneiros e era dotado de uma grande inclinação inventiva. Assim, quando se dirigia para o trabalho, parava junto de uma corrente de água onde girava uma pequena roda. Na observação contínua desse engenho hidráulico surgiu-lhe a ideia de criar uma indústria que veio a fundar numa sua propriedade, junto à ribeira do Pedrozelo, em Arrancada do Vouga, a primeira fábrica têxtil existente na freguesia e arredores, a conhecida FÁBRICA DA LÃ, vulgarmente assim designada no meio, tornando-se numa próspera indústria ao nível local, nacional e até internacional, sob a denominação de António Pereira Vidal & Filhos, Lda.
           O pai foi proprietário de uma loja de mercearias em Arrancada do Vouga, onde iniciou o seu trabalho como Caixeiro de Balcão, contactando as pessoas que formaram e moldaram o seu acrisolado fervor humanístico e passava já, nesta altura, o tempo a rabiscar em papéis as suas notas a respeito e aquele utilizava esta frase para acentuar e justificar o seu desinteresse pelo trabalho: «Ata as cordas, rapaz. Ata as cordas, rapaz». 
           E atou mesmo! Mudou de rumo. Por conselho de um vizinho foi alertado da vocação e inclinação deste seu filho para o campo das letras. Foi para o Porto onde seu tio, padre Joaquim Ferreira Vidal, era diretor espiritual no seminário da Sé e professor e, em três anos, faz todo o curso liceal, matriculando-se depois em Engenharia e obtendo com brilho o seu diploma.
            Contraiu matrimónio com Dulce da Costa Vidal, filha de António da Costa Tavares e Silva e de Maria Joana de Campos Vidal, em 14 de setembro de 1929, na capela do Vale de Estêvão, lugar da freguesia de Mogofores, concelho de Anadia, a quem dedicou o seu romance «GALOPE NA SOMBRA», com esta frase: «À Dulce na sua silenciosa dedicação». 
          Teve no seio familiar os irmãos Manuel de Bastos Xavier, António de Bastos Xavier e João Vidal Xavier. Cabe ainda salientar que fez parte de uma plêiade de escritores que integrou o grupo dos chamados ”Novos Prosadores” colocando-o como um dos pioneiros do conjunto do neorrealismo em Portugal, ombreando ao lado de nomes onde figuraram Sidónio Muralha, Fernando Namora, Alves Redol, Carlos de Oliveira, Mário Dionísio, Virgílio Ferreira, João Falcato e Soeiro Pereira Gomes. Das obras editadas, destacam-se os romances de ficção, que foram:
- Cana ao Vento – 1944; 
- Novos Claustros na Montanha – 1953;
- Arame Farpado – 1960;
- O Pátio – 1964;
- Galope na Sombra – 1970;
- A Zorra – 1975;
            Publicou com regularidade vários contos também de ficção em vários órgãos de comunicação, nomeadamente no jornal paroquial «Valongo do Vouga», sob o pseudónimo de “QUASIMODO”, destacando-se a série “HITÓRIAS DA MINHA VIDA – A BEATRIZ DA MINHA INFÂNCIA “, entre outras.  Algumas destas obras, comentava-se, focavam conhecidas personagens populares da freguesia, principalmente do lugar de Arrancada do Vouga.
          Chegou a fazer parte dos quadros da função pública, trabalhando em Lisboa, na Direção dos Melhoramentos Rurais e foi Adjunto do Diretor da Junta Autónoma de Estradas em Coimbra e na Guarda. Autor do projeto, dirigindo a construção da estrada de S. Jacinto – Ovar.
            Após esta fase de vida pública, a sua saúde começou a periclitar, pelo que tomou a decisão de pedir uma licença ilimitada (1950), dedicando-se à empresa fundada por seu pai, dirigindo o setor de tinturaria, onde adquirira conhecimentos especializados.
            Desempenhou funções autárquicas, sendo chamado a dirigir os destinos da Câmara Municipal de Águeda, de novembro de 1963 a agosto de 1967, por nomeação. Como é do conhecimento geral, não existiam eleições para as Autarquias, sendo estes cargos e outros desempenhados por nomeação do governo. Não foi reconduzido, sendo demitido, por discordar dos argumentos que estiveram na base da decisão do governo em demitir o Regedor de Recardães.
            Durante este mandato, lançou uma vasta campanha de abastecimento de água domiciliária ao nível do concelho, que sofria de uma acentuada situação de carência – não tendo sido esquecida a sua freguesia – afirmando, muitas vezes, que “nos tempos que correm não se admite que os homens peçam pão, quanto mais água!”  –  tendo proliferado a instalação de um modelo original de fontenário, bem como o lançamento dos projetos dos novos Paços do Concelho, do Posto da GNR e de um grande parque industrial, retirando os edifícios fabris da área urbana da então ainda vila de Águeda e de algumas aldeias do concelho. 
             Esta a recordação que se impunha, ainda assim talvez incompleta, de uma figura importante da freguesia de Valongo do Vouga e do concelho de Águeda, reconhecimento tributado pela Câmara Municipal, dando o seu nome na toponímia de uma rua da nossa cidade.


A capa do romance "CANA AO VENTO", numa 2ª edição especial Fac-similada da Casa do Povo de Valongo do Vouga, 2002, com introdução do Dr. Horácio Marçal, na ocasião da homenagem tributada por aquela Entidade na comemoração do centenário do seu nascimento, que temos em nosso poder.


sábado, 30 de novembro de 2024

COISAS DE BAÚS - 1

Possuo um computador, já velhinho, que passou a ser uma espécie de arrumação de tudo e mais alguma coisa. Ou seja, um arquivo daquilo que se escreve e por aqui fica "estacionado" em pastas e mais ficheiros informáticos, até que nos esquecemos que os mesmos existem. Uma espécie de "caixote" onde tudo se guarda!
Deambulando através dessas pastas e ficheiros, deparámos com um texto que estava num arquivo e que tínhamos esquecido da sua existência. Após a sua leitura, recordamos que o mesmo foi escrito há já bastante tempo e retrata com alguma acuidade uma vivência passada em tempos de meninice. Achei que o mesmo podia ficar por aqui, pela curiosidade e pelo que essa vivência pode significar em termos comparativos o que atualmente se constata. É um desabafo, que queremos seja intransmissível e nunca repetitivo. Sem mais comentários...

COISAS DE BAÚS

Estava aqui sem fazer nada. Até que me lembrei de coisas guardadas no baú das memórias.

Dos tempos da meninice pouco ou nada recordo. Mas à medida que os anos vão avançando, reminiscências surgem que põem a nu factos que mostram o que foram alguns tempos passados.

Fui o infante de sete descendentes de um casal pobre e quase andrajoso que vagueou no lugar de Aguieira, tal como ainda hoje, inserido politicamente, segundo os trâmites que um Estado ou uma Nação entendeu adotar – numa chamada desde os antanhos tempos da nacionalidade, Freguesia de Valongo do Vouga.

Pobres mais que as figuras bíblicas - paupérrimos - quase sem eira nem beira, fui “criado” vivendo nos tempos de barracas, numa pequena área cuja frontaria era limitada por uma eira. Assim, a “habitação” era uma construção tosca, ampla, sem divisões, a não ser um tabique de madeira que ficava à entrada. Do outro lado deste estavam as camas (duas enxergas), para albergar os sete viventes que vieram ao mundo.

Certamente que o texto seria para ter continuidade. Mas apenas este foi encontrado tal como está. Desconhecendo-se, agora, o que estaria na origem e nas intenções do mesmo, pelo menos é retratada uma situação vivida,  com muitas privações e a deixar confirmadas as ausências de tudo o que se pode imaginar numa vida mais saudável e isenta de muitas carências.