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segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

NOTÁVEIS DA MINHA TERRA - 6

 CONSELHEIRO  RODRIGUES DE BASTOS

Melhor do que se escreveu sobre o conselheiro José Joaquim Rodrigues de Bastos, natural do lugar do Moutedo, será respigar do legado que nos deixou o Dr. Rui Moreira de Sá e Guerra, que foi residente no Porto, e que consta do livro VIDA E OBRA DO CONSELHEIRO JOSE JOAQUIM RODRIGUES DE BASTOS, descendente deste, que iremos apresentar progressivamente em várias páginas, no que se consideram as partes principais, começando por esta que relata a sua génese, embora cientes de que se corre o risco de repetição, face a outras publicações já efetuadas:

"Nasceu a 8-11-1777, no lugar do Moutedo, freguesia de S. Pedro de Valongo, concelho de Águeda, e foi baptizado em 16 desse mês de Novembro, sendo padrinhos o Reverendo Joaquim de Bastos seu tio, e Antónia Maria por procuração do marido José de Bastos, sendo testemunhas o Reverendo Manuel de Bastos e Francisco Martins Pereira, todos de Moutedo.
O assento de baptismo, apenas com a indicação do nome próprio como então se exaravam os registos, possibilitaria a dúvida sobre a filiação do nosso biografado; não seria de per si líquido que o José registado em 1777 fosse ele. Mas a dúvida de todo se desvanece ao confrontar-se aquele assento com os elementos biográficos e  documentação que lhe referem a filiação, como o registo do seu próprio casamento, os assentos dos baptismos dos filhos, as matrículas do Dr. Rodrigues de Bastos na Faculdade de Direito de Coimbra, o processo de genere et puritate sanguinis para a leitura de bacharéis existente na Torre do Tombo, o alvará de mercê de fidalgo da Casa Real, a biografia escrita em vida dele pelo escritor António Augusto Teixeira de Vasconcelos, atrás citada, a referência biográfica inserta por Pinho Leal no Dicionário de Portugal Antigo e Moderno, e a notícia necrológica publicada no jornal O Comércio do Porto  em 6-10-1862, onde se lê que os dados biográficos insertos foram colhidos de um autógrafo pelo seu próprio punho e que o dera a um cavalheiro.
No entanto, como acima foi dito, o Dr. Augusto Soares de Sousa Baptista, no decano e conceituado semanário de Águeda Soberania do Povo de 29-4-1967, ao esquissar a biografia  de Rodrigues de Bastos, assevera ter o biografado nascido em 1776 e ser filho de José de Bastos e de Antónia Maria. Nada menos exacto.
Houve aí confusão com o registo de outro José, nascido também na freguesia de Valongo, mas em 17-7-1776, este sim filho de José de Bastos e de Antónia Maria. Eram parentes, no entanto. E, como acima é dito, paraninfou o baptismo de José Joaquim Rodrigues de Bastos a mencionada Antónia Maria, mandatada pelo marido José de Bastos, os quais eram os progenitores daquele José nascido um ano antes.
O Dr. António Augusto Teixeira de Vasconcelos, na extensa biografia atrás aludida, depois de lhe referir o nascimento e identificar os pais, escreveu:
'Não tenho notícias particulares acerca dos pais do sr. Conselheiro Bastos, nem fiz diligências para obtê-las. Não carece do esplendor das virtudes paternas, quem de tão brilhante auréola  de glória vive cercado, e para a pátria honre a memória dos pais pela educação em que se basearam as elevadas qualidades do filho, não é mister resolver pergaminhos, examinar cartórios ou fazer inquirições de genere.' Creio todavia que eram abastados de bens de fortuna a julgar pela profissão a que destinaram o filho, mandando-o graduar em direito pela Universidade de Coimbra, donde veio a inscrever-se como advogado nos auditórios da cidade do Porto. Para começar a carreira do foro por entre numerosos e atilados concorrentes na segunda cidade do reino, não bastava só ter engenho e aplicação, era também necessário possuir meios de aguardar que a notoriedade do talento principiasse a produzir os seus efeitos.' 

...Segue...
  Nota: - Porque se trata de uma transcrição, respeitamos a grafia aplicada ao tempo.
 

segunda-feira, 4 de novembro de 2024

NOTÁVEIS DA MINHA TERRA - 1

CONSELHEIRO RODRIGUES DE BASTOS

   
                                                                                                           (Casa onde nasceu o Conselheiro,
                                                                                                                sita no Moutedo)
O Conselheiro José Joaquim Rodrigues de Bastos, teve uma vida marcada por feitos valorosos e é suficientemente justificável conhecer uma figura local com o seu percurso nas várias vertentes que esta lhe proporcionou e que marcou de forma indelével a época em que se manteve ativo e participativo, desde a advocacia, literatura e política. É prova disso o abundante material histórico que está publicado no espaço cibernauta e não só. Iremos trazer aqui algumas dessas facetas, quiçá correndo o risco de alguma repetição face ao que terá sido publicado. 
Um seu familiar, o Dr. Rui Moreira de Sá e Guerra, já falecido e que foi residente no Porto, com quem nos correspondemos durante bastante tempo, brindou-nos com uma obra de sua autoria sobre este Conselheiro nascido no lugar do Moutedo, freguesia de Valongo do Vouga, com o título VIDA E OBRA DO CONSELHEIRO RODRIGUES DE BASTOS.
Como já por aqui escrevi, o Conselheiro foi um Homem que marcou o seu tempo.
Nasceu naquele lugar em 8 de Novembro de 1777 e foi batizado em 16 daquele mês de novembro, sendo seus padrinhos o Reverendo Joaquim de Bastos seu tio, e Antónia Maria por procuração do marido José de Bastos, sendo testemunhas o Reverendo Manuel de Bastos e Francisco Martins Pereira, todos do Moutedo.
        Matriculou-se no primeiro ano jurídico da  Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, em 31 de Outubro de 1790 e nesta escola foi premiado num dos anos jurídicos, conforme asseverou o Dr. Manuel Rodrigues de Melo num processo de genere para o habilitar a servir no lugar das Letras e fazer a sua leitura como requereu em 1812 a testemunha Manuel Rodrigues de Melo, bacharel formado em cânones, de trinta anos, morador na Rua Larga de S. Roque, em Lisboa. Mas só volta a inscrever-se, agora no segundo ano, em 1800. Houve pois um meato de dez anos, remata a informação do Dr. Rui Moreira.     
Parece, contudo, que não ficou inativo pois, à conta do que foi escrito no blog terrasdomarnel.blogspot.com, da autoria de José Marques Ferreira, no capítulo «Do Marnel ao Vouga», o brasileiro António Trajano escreveu no jornal do Brasil O Puritano que, em Coimbra onde estudara, tivera como professor de latim o ilustre conselheiro José Joaquim Rodrigues de Bastos, latinista de nomeada.
Formou-se no ano de 1804, conforme ele próprio declarou, juntando a carta de curso, no requerimento para servir nos lugares de Letras. Iniciou a carreira de advogado nos auditórios da cidade do Porto e por essa época, em 10 de dezembro de 1806, casou-se na Sé Catedral desta cidade com a prima coirmã D. Maria Joaquina Rodrigues de Sampaio, que nasceu em 9 de Novembro de 1780, na freguesia da Sé do Porto, filha de Manuel Rodrigues da Cruz, familiar do Santo Ofício, natural da freguesia de Valongo do Vouga e de sua mulher  D. Francisca Marcolina Rosa de Sampaio, também natural da freguesia de S. Pedro de Valongo. Foram testemunhas o Dr. José Lourenço Pinto, morador na Rua da Hortas, e o Dr. António da Silva Guimarães, da Rua Nova do Almada.
Resta acrescentar que o seu nome está perpetuado numa rua em Arrancada do Vouga, que vai do cruzeiro até à capela de Santo António.
A este ilustre Valonguense voltaremos trazendo mais história ...