domingo, 22 de fevereiro de 2026

HISTÓRIA DA MINHA TERRA - 6

QUINTA D'AGUIEIRA 

A HISTÓRIA E OS VINHOS - 2


       Voltámos a calcorrear, que é como quem diz: retornamos à pesquisa dos ficheiros digitalizados da "Soberania do Povo" e lá encontrámos mais uma publicação, no seu número de 6 de dezembro de 1930, dando conta da distinção atribuída aos vinhos da Quinta d'Aguieira, no Rio de Janeiro - Brasil.
    Esta notícia é apresentada  no Jornal de Notícias do Porto e da sua leitura é confirmado o conceito da qualidade e prestígio que os vinhos produzidos nesta Quinta mereciam, por parte de conceituadas Instituições.
  Na década de cinquenta, séc. XX, tivemos o privilégio de assistir «in loco» aos preparativos da organização de remessas de vinho para aquele país irmão (como é apanágio dizer-se).
   Deixamos a digitalização obtida do semanário citado que, espera-se, possa ser legível.
  
   
   Por nos ser permitido um acompanhamento da atividade comercial da Quinta, sabemos que os seus vinhos eram exportados para o Brasil, como fica explícito, como para outras partes do mundo, principalmente para os antigos territórios ultramarinos de África e não só.
    Fica neste apontamento mais um pequeno pormenor da história desta mais que centenária Quinta d'Aguieira, a juntar a tantas outras «estórias» que abundam e por aí andam dispersas.



quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

HISTÓRIA DA MINHA TERRA - 5

QUINTA  D'AGUIEIRA
A HISTÓRIA E OS VINHOS - 1

    Abordar qualquer facto sobre a Quinta de Aguieira é também desenterrar um manancial de história que os seus muros guardam pelo menos desde o século XVIII.
       Em 1724 existia já uma casa fidalga que passou a ser conhecida atualmente com aquela designação. Tem capela de invocação a Nª Sª do Bom Despacho, mandada erigir pelo seu proprietário de então, João Gomes Martins, decorria o ano de 1735.
    Esta capela e a casa de habitação, segundo os dados históricos conhecidos, viriam a pertencer no século XIX (1867) ao Visconde de Aguieira, Joaquim Álvaro Teles de Figueiredo Pacheco, Primeiro Visconde de Aguieira.
Em 1895, Guilherme Teles Pacheco, sobrinho deste Visconde, tornou-se proprietário por herança. Em 1902, também por herança, a sua posse passa para Manuel Homem de Mello da Câmara, 1º Conde de Águeda.
    Em 1953, após o falecimento do 1º Conde de Águeda, a Quinta d'Aguieira passa por um período de alguma instabilidade, sendo objeto de várias aquisições e, em consequência de desavenças familiares, desagua a sua propriedade em Manuel José Homem Homem de Mello, descendente daquele 1º Conde de Águeda.
    Em 1977, Luís e António Guedes, da 4ª geração fundadora da Sociedade Agrícola da Quinta da Aveleda, com sede em Penafiel, "apaixonam-se" pela Quinta d'Agueira. E esta Entidade é, atualmente, a proprietária daquela importante e histórica propriedade de cerca de 21 hectares.

(Nota: - Adaptado do site da Quinta d'Aguieira, em https://quintadaguieira.com)

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    A digitalização que aqui se reproduz, é uma publicação retirada do semanário local "Soberania do Povo" de 7 de Setembro de 1929, sobre um episódio que envolve o Vinho da Quinta de Aguieira, publicado pelo Jornal de Notícias, do Porto, que se espera possa ser legível. Se clicar na imagem é natural que a mesma fique ampliada e a sua leitura mais acessível.
  Por esta publicação fica confirmado que os vinhos produzidos naquela Quinta já eram classificados de qualidade superior e a merecer os encómios de muitos amantes do deus Baco e que, certamente, se foram afirmando ao longo de centenas de anos, como o que de melhor os já referidos 21 hectares produziam e continuam a produzir.
   Mantêm-se as condições para que se continue a desbravar e a confirmar que esta terra é, de facto, do melhor que há para a cultura e produção vinícola.
   Desta forma é de esperar que a tradição se mantenha e resulte na consumação de futuros êxitos comerciais levando bem longe o nome destes torrões da região norte da Bairrada. Fechamos este naco de história local com esta frase retirada do site, que é assim:

"O respeito pela terra permitiu-nos obter vinhos com identidade que refletem o berço onde nasceram, transportando a excelência da Quinta d'Aguieira".

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

COISAS DE BAÚS - 11


   

AGUIEIRA - UM CASAMENTO EM 1929

         Temos em arquivo informático uma razoável quantidade de ficheiros digitalizados do semanário  'Soberania do Povo', com notícias da freguesia de Valongo do Vouga, que hoje fazem a nostalgia e a recordação de coisas, factos e pessoas. É o caso da notícia que aqui se deixa reproduzida. 
       Foi redigida pelo mais antigo correspondente daquele semanário nesta freguesia - António Rosa da Silva Magalhães - que ao tempo residia em Brunhido, tendo mudado para o lugar Fermentões, onde faleceu decorria o ano de 1986.
            Os visados na notícia foram residentes no lugar de Aguieira, naquele desvio da estrada no centro deste lugar que vai para a Cumeada conhecido por 'Casal' .
Era nesta casa que residiu o Dr. Augusto Gomes Tavares dos Santos, tendo desempenhado funções de Chefe da Secretaria Judicial do Tribunal da Comarca de Águeda, casado com Lucília Melo Pires dos Santos. O enlace matrimonial verificou-se em Vilarinho do Bairro, onde residia a D. Lucília.    
        A estes acontecimentos verificados no início do séc. XX, já tivemos oportunidade de historiar por um 'post' em 'http://www.terrasdomarnel.blogspot.com" em 27 de fevereiro de 2016, no capítulo "Gente destas Terras - 49".



segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

HISTÓRIA DA MINHA TERRA - 4


O VOUGUINH A
RAMAL  DE  AVEIRO  - SERNADA

   As notas e os factos históricos de que se revestem os mais ou menos 34,6 Km de linha férrea que ligam a Veneza de Portugal (Aveiro) a Sernada do Vouga, são não só abundantes como também já se encontram a proporcionar um naco de história que tem sido tratada como as circunstâncias o recomendam e aconselham, pelos mais de cem anos desde a sua inauguração.
   Sabemos os meios de comunicação que eram usados pelos povos de antanho. Desde os cursos de água que permitissem navegação, sendo o rio um deles e é de enaltecer o que representava para tais populações, por exemplo, além de outros, o rio Vouga.
  Também será de relembrar que, por terra, essas comunicações sofreram uma evolução acentuada, que obtiveram uma forte implantação entre nós das conhecidas vias romanas, dando um salto gigantesco com a abertura e construção de outras vias, como as estradas em Macadame, que se tratava de um piso implantado e desenvolvido por um engenheiro escocês, cerca do ano de 1820, de seu nome John Loudon McAdam
    Além destes meios de comunicações, o homem espraiou-se também pelo mar e pelo ar. Não será desmerecido referir ainda as comunicações várias que se procuraram sempre através de outros meios que vão desde o balão, ao avião (Aeronáutica), à ondas magnéticas (rádio), ao telefone - com os agora mais que moderníssimos telemóveis - até que chegamos ao computador e à INTERNET!!!
    Quem diria!!!

  Mas voltemos ao nosso "Vouguinha" e às recordações que o mesmo já nos proporciona.     Sabe-se que foi aprovada a sua construção em Fevereiro de 1909 e a inauguração verificou-se em 8 de setembro de 1911. Tudo isto para chegarmos a Valongo do Vouga.

    Com efeito, uma notícia dimanada do histórico lugar de Brunhido deste freguesia, da autoria de António Rosa da Silva Magalhães, publicada no semanário "Soberania do Povo"
com data de 7/7/1927, dizia que "inaugurou-se hoje, 6, a paragem dos comboios em Vallongo, apeadeiro do Vale do Vouga, queimando-se à sua paragem muito fogo." 

   A redação deixa perceber que após a inauguração em 1911 o comboio não devia parar em nenhum outro local da freguesia de Valongo do Vouga, a não ser a partir de 6 de Julho de 1927. Naquele local, segundo rezam as histórias que passaram de boca em boca, chegou a ser perspetivada a implantação de uma estação,  que seria conhecida por Valongo do Vouga, que naquele tempo passava por uma forte evolução comercial e industrial.

    A propósito, será ainda de referir uma outra versão que corria sobe a Linha do Norte, que parece estava prevista a sua construção, a partir de Oliveira do Bairro, por Águeda e, daqui, para o Porto. Ainda segundo aquela  versão, havia um tremendo despique entre duas figuras fluentes de então - José Estêvão, por Aveiro e Manuel Homem de Melo da Câmara (1º Conde de Águeda), por Águeda. Venceu José Estêvão, como chegámos a ler algures.

    Estes uns nacos de história que nos suscitaram aquelas datas relacionadas com o histórico mais que centenário caminho de ferro de bitola estreita ainda a circular em Portugal.