domingo, 11 de janeiro de 2026

NOTÁVEIS DA MINHA TERRA - 11

 O GRANDE CAÇADOR DO CONCELHO DE ÁGUEDA


Numa linguagem popular, tanto mexemos que encontramos sempre alguma coisa...

E desta feita encontramos uma notícia publicada no semanário "Soberania do Povo", publicada em 1 de Junho de 1929, de que se deixa a sua digitalização.
Aliás, a notícia é acompanhada de outros apontamentos noticiosos que foram da autoria do Valonguense, António Rosa da Silva Magalhães, na altura o correspondente daquele que é o mais antigo semanário do País. Mas o destaque e a originalidade vai todo inteirinho para uma Notável figura que foi o Sr. Manuel Ferreira Rachinhas, residente no lugar de Aguieira, que além da carreira profissional nas funções de carteiro dos CTT em Aguada de Cima, como se conhece, foi considerado um exímio caçador no concelho de Águeda. Como, aliás, a notícia o refere e exalta.

Transcrevemos a parte que nos interessa desta notícia, que por aqui já foi destacada em devido tempo, e diz assim:

'O Sr. Manuel Rachinhas, de Aguieira, é o caçador de maior vocação do concelho, o mais legítimo rival do velho Dr. Jaime.
Conseguiu agarrar, a semana passada, em noites sucessivas, 3 interessantes raposas novas, e já ameaçou de morte as próprias mães, as quais teimam em dizimar a capoeira e coelheira do sr. Aires na Carvalhosa, a quem só numa noite mataram 15 coelhos e 2 galinhas. Merece uma condecoração da Comissão Venatória!'

Ao que parece a Comissão Venatória terá ignorado o feito do sr. Manuel Rachinhas...
 



sábado, 10 de janeiro de 2026

COISAS DE BAÚS - 10

O LUGAR D' AGUIEIRA 
NA FREGUESIA DE VALONGO DO VOUGA

  A  freguesia de Valongo do Vouga, já aqui salientamos por várias vezes, é um território de caraterísticas próprias, das quais apontamos algumas que a distinguem  de todas as restantes freguesias do concelho de Águeda, destacando apenas as seguintes:

- A área de 43,20 km2 de superfície que a coloca na maior freguesia deste concelho a que pertencemos; 

- O número de lugares que aquela área comporta, completamente independentes entre si;

- A densidade populacional, com maior número de habitantes entre as freguesias rurais;

  Andávamos por aqui a desfolhar papeis amarelecidos pelo tempo, quando sobre o lugar de Aguieira encontramos um pormenor relacionado com a sua história medieval e que apontava um fator curioso que dizia respeito ao seu orago - S. Miguel - que é venerado pelo povo do lugar com festividade no primeiro domingo do mês de setembro.

Era dito que a capela foi "transferida" do lugar da Aldeia - que era conhecido por "Arrancadinha" - para Aguieira no final do século XVI. 
No capítulo da sua história, o de Aguieira é também recheado de factos que remontam aos tempos da fundação de Portugal, foi vila e sede de concelho, com foral concedido pelo Rei D. Manuel I, por decreto de 6 de maio de 1514. Este título foi mantido durante mais de trezentos anos, tendo sido extinto por decreto de 6/11/1836 com a reorganização administrativa.
  Entende-se que justificava um outro desenvolvimento e abordagem da sua história, porque tal como outras localidades, admite-se sem grandes dúvidas, que tem material de sobra para ser devidamente pesquisado e colocado à tona dos conhecimentos históricos que abundam e, certamente, resultariam num outro panorama da nossa particular identidade.
   Por agora, ficamo-nos por aqui.............
     

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

COISAS DE BAÚS - 9

OS PARTOS NAS AMBULÂNCIAS             

  Com uma impressionante regularidade, somos fustigados diariamente em todos os meios da nossa Comunicação Social com notícias relacionadas com a saúde, nomeadamente no que respeita às especialidades de Obstetrícia, Ginecologia e demais congéneres.
 Tomamos conhecimento das mais inusitadas situações que têm acontecido e vão acontecendo por este país da beira-mar plantado. Somos confrontados com os argumentos políticos que os casos vão suscitando, a respeito, nos «profissionais» da nossa praça. E as situações em vez de diminuir vão aumentando provocando, - «vê-se a olho nu» - uma preocupação pelas consequências nefastas que têm originado.
   Andávamos por aqui a remexer em papéis velhos, (ou papéis antigos? Agora tanto faz!) mantendo o também antigo vício de guardar tudo, na esperança de que um dia seja aproveitado para recordar ou para qualquer outro fim, quando encontramos um que, parece, foi por nós redigido a meias com o "Chefe de Redação" (Armor Pires Mota) do semanário Soberania do Povo, de 8 de janeiro de 1993, que relatou um acontecimento precisamente do mesmo género daqueles que agora nos são presenteados, passado na freguesia com uma pessoa do lugar de Brunhido, neste caso sem consequências...
    Neste mesmo apontamento verificamos (do que já não nos lembrávamos) que foi 'lavrada a nossa tomada de posse' como CORRESPONDENTE daquele semanário na freguesia de Valongo do Vouga.
       Pela curiosidade, aqui deixamos esta nota coincidente com o que se passa na atualidade. Esperamos que a digitalização esteja e seja legível. Cremos que ao clicar na imagem a mesma aumenta o tamanho facilitando e tornando viável a leitura.

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

NOTÁVEIS DA MINHA TERRA - 10


 

ANTONIO MARTINS RACHINHAS

VIDA TRICONTINENTAL

     
Foi no dia 9 de Outubro de 2008 que nos abalançamos a publicar, com a regularidade possível, alguns factos e histórias relacionados com a freguesia de Valongo do Vouga inseridos no blogue intitulado «Terras do Marnel». As pesquisas entretanto realizadas demonstravam-nos que havia material de sobra para “alimentar” esta iniciativa por dilatado tempo.
       E assim foi mantida até 6 de novembro de 2020, perfazendo uma longevidade de 12 anos!
     Movido e até motivado por alguns conterrâneos, demonstrando-nos que era uma mais valia manter a sua continuidade, reiniciámos esta presença cibernauta em 31 de outubro do ano findo, está a atingir um ano, com um título praticamente idêntico ao anterior, adicionando-lhe apenas mais uma palavra, surgindo, assim o «Terras do Marnel e Vouga», não sendo de estranhar o alcance intencionalmente introduzido.
    Procurou-se dar algum realce, dando o ênfase a outros motivos, e enaltecendo alguns factos que tiveram origem em pessoas  que já fizeram história na freguesia, criada por alguns conterrâneos que a distinguiram, dotando-a de meios e formas, materiais e sociais, não esquecendo os benefícios que foram proporcionados aos seus concidadãos.
    Foi nessa linha que se achou ser de inteira justiça relembrar todos os que assim procederam, nomeadamente os que fizeram história recente, «porque da lei da morte se foram libertando». Outros que permanecem no nosso convívio e que tudo fizeram para serem colocados no mesmo patamar daqueles que os antecederam.
     Relembrando o que apontamos aqui em 11 de novembro de 2024, quando se iniciou o que convencionamos ser a 2ª série de “Terras do Marnel e Vouga”, colocamos em destaque a ação desenvolvida pelo conterrâneo António Martins Rachinhas. Mais que destacar o que fez em prol de sua Terra, entendemos ser um ato de justiça trazer à liça, se não tudo, pelo menos o que, com alguma estranheza, possa vir a cair no rol dos esquecimentos.
    Se outrora as coisas não eram muito conhecidas, porque desprovidos dos mais elementares meios de registo, atualmente essa questão não se coloca. Por outro lado, entendemos que os reconhecimentos, os registos, as sessões, as homenagens também têm outro efeito, se realizadas com os seus protagonistas presentes entre nós.
   Porém, não querendo ser narcisista, podemos sintetizar a Vida Tricontinental do Rachinhas, principalmente após o seu regresso do Brasil, não enveredando por elaborar uma longa lista de factos, das coisas e dos locais onde se fizeram sentir as suas intervenções que, como chega a admitir nos quatro livros de índole pessoal e familiar, além de outros tantos sobre a história da freguesia de que foi Autor, nos quais deixa uma autenticidade genuína do seu amor intrínseco à sua Freguesia a cuja elevação a Vila muito porfiou para ser colocada no patamar onde outras localidades já se encontravam.
    Paralelamente foi de sua iniciativa a aquisição do espaço conhecido por «Terra do Moinho» em Aguieira e no mesmo fosse construído um novo templo com orago a S. Miguel. É hoje o Largo de S. Miguel, a sala de visitas da Freguesia. Chamado «Terreno do Moinho» porque nele a área era `banhada` por uma ribeira desviada do leito principal, percorrendo uma escassa centenas de metros até a um moinho, que ficava situado sensivelmente no local onde foi construída a capela, o qual era propriedade de um habitante daquele lugar de nome João da Fonseca Lemos, vulgo «João Moleiro».
   Travou uma «luta» (como lhe chamou), durante doze anos, para a criação e construção de raiz da Escola  EB/2,3 de Valongo do Vouga . Ainda na área da educação, lutou junto da Câmara Municipal pela construção de novas instalações para a Escola Primária, nascendo desta forma o prédio onde hoje funciona a  Escola de Música. Ainda nesta área junto do Secretário de Estado, formulou pessoalmente um pedido para que autorizasse a utilização do pavilhão pré-fabricado onde funcionou provisoriamente a Escola EB2,3, que serviu depois para a Escola de Música durante trinta anos.
   Envolveu-se também na criação e compra do terreno – cerca de 12.000 m2 - onde foi implantado, por ideia pessoal, o Parque de Lazer da Boiça (Aguieira).
   Dinamizou  a população de Aguieira a participar em três Orçamentos Participativos, que venceram, arrecadando mais de cem mil euros para a edificação daquele Parque de Lazer.
  Como Presidente da Assembleia de Freguesia, negociou com o proprietário a cedência do terreno necessário para a construção da rua e alargamento do «Lameirão», hoje «Praça de S. Pedro» em Valongo do Vouga.
   Fez vários contactos com a Câmara Municipal, no decorrer dos anos 80, séc. XX, sugerindo a construção de uma via, para evitar os constrangimentos à população das áreas das freguesias de Valongo do Vouga, Macinhata, Préstimo, Macieira de Alcoba e outras localidades terem de cruzar a linha do Vale do Vouga bem como a estrada nacional na Alagoa, resultando na Rua Nova do Emigrante.
   Foi autor da toponímia das ruas do lugar de Aguieira, da letra do hino da novel vila musicada pelo Valonguense, Capitão Amílcar Morais, obteve junto da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto a feitura do busto Souza Batista e foi proponente para a classificação como Monumento de Interesse Público da Igreja Paroquial (MIP), processo que continua a acompanhar junto do Ministério da Cultura. 
   Integrou ou ocupou os seguintes cargos; Presidente da Mesa da Assembleia de Freguesia, Deputado à Assembleia Municipal (três mandatos); Secretário da Comissão de Educação; Secretário da Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida; Vice-Presidente da Direção da Casa do Povo de Valongo do Vouga; Vice-Presidente do Conselho e Fundador da Comissão de Pais (Escola Adolfo Portela); Membro da Assembleia Distrital do PSD (Partido Social Democrata (três mandatos). Nesta fez valer os argumentos necessários para a nova autoestrada Águeda-Aveiro. 
   Travou aceso confronto com a Câmara Municipal e Junta de Freguesia para obstar o encerramento da Rua Visconde de Aguieira, como era desejo destas Autarquias; e com o Ministério das Infraestruturas (e até com o Primeiro Ministro) para colocar cancelas automáticas na passagem de nível do apeadeiro de Aguieira (com perspetivas de solução). 
    Cidadão Honorário da Vila , título concedido em 2013 pela Junta de Freguesia, condecorado com a medalha de ouro pelos relevantes serviços prestados à comunidade Valonguense. 
   Como o próprio afirma em resumo: FOI UMA VIDA DE SONHOS, NA SUA MAIORIA CONCRETIZADOS.
   Admite-se não serem necessários mais argumentos de elevação, a não ser retirar do eterno Camões :
 
                                            Quão doce é o louvor e a justa glória
                                     Dos próprios feitos, quando são soados!
                     Qualquer Nobre trabalha que em memória
                                     Vença ou iguale os grandes já passados.
                              As envejas da ilustre e alheia história
                                     Fazem mil vezes feitos sublimados.
                                           Quem valerosas obras exercita,
                                     Louvor alheio muito o esperta e incita. 


Largo de S. Miguel







          
                             Grupo da Boiça
Em 1º Plano: António Rachinhas; José Carlos Rachinhas; Manuel
Augusto Pereira e Luís Jesus Ferreira: De pé a partir da esquerda: 
Augusto Matos Costa; Manuel Duarte Formiga; Joaquim César 
Rachinhas (Pedro); atrás deste António Ferreira Abreu («Viseu»); 
Manuel Duarte Pinheiro, Jorge Jesus Almeida («Pintassilgo»; 
Manuel Gomes Oliveira; Manuel Borges e cap.Joaquim Miranda.




sexta-feira, 18 de julho de 2025

COISAS DE BAÚS - 8

 GUINÉ - 1963--1965

O JORNAL DA CASERNA

 


    Como foi antecipadamente esclarecido, decorre neste mês de Julho o aniversário da nossa partida e estadia, durante dois anos e um mês, em território Africano da Guiné-Bissau, integrando uma Unidade Militar que, como a história tem clarificado, tinha em vista a manutenção da administração portuguesa, neste e em outros territórios daquele continente. Na sorte que nos coube, como a tantos outros jovens que nos idos anos de 60/70, séc. XX, não escapavam a ter de partir, sem garantias de regresso, para estas paragens Africanas e de outras latitudes do mundo.
    A adaptação, com parcas e minguadas informações sobre tudo o que a tais territórios dizia respeito, havia uma formação e informação, antes da partida, principalmente o que se relacionasse com as doenças tropicais, algumas caraterísticas do seu povo, modo de vida, etc., ministrada por Jovens Aspirantes Oficiais Milicianos promovidos, na data de embarque, a Alferes Miliciano.
    Constituía uma pesada tormenta olhar quase diariamente para o calendário - havia quem riscasse cada dia que ia passando - esperando-se ansiosamente que o tempo corresse mais depressa.
    Depois eram as formas que cada um ia "construindo" os seus passatempos, desde tratar periquitos (e outras aves exóticas) com os espetaculares treinos que se ministravam, conseguindo-se que se apresentassem num evoluído estado de domesticação.
    Além dos macacos, primatas que constituíam as delícias dos seus tratadores que, como se sabe, imitavam com algumas peripécias os gestos e outras atitudes humanísticas. Claro que para além de um vasto conjunto de atividades mediante as possibilidades de cada um, dos seus conhecimentos e dos meios que ao seu redor pudessem deitar mão.
    No caso em apreço, também nos dedicamos a um passatempo e vejam para o que nos deu... publicar um jornal.. a que "vaidosamente" intitulamos Jornal da Caserna.
    O termo "Caserna" é subentendido no edifício que servia de dormitório do pessoal militar. Logo devia exprimir uma orientação de conteúdo que tivesse origem no seu interior. Mas nem sempre foi assim. O seu conteúdo era plasmado por passatempos, redações curiosas socioeconómicas locais. E pretendeu ainda ser cópia de um jornal a sério, tendo ficticiamente, como é notório o cabeçalho com aquele título, o "DIRETOR", ADMINISTRADOR e o EDITOR. Todos identificados elementos integrantes dos quadros daquela Unidade Militar.
    Como isto já vai longo, diremos que aqueles elementos foram por nós convidados, sendo o Diretor "HÉRCULES" o escriturário da Companhia, antagonicamente um "magricelas", o Administrador "MASSINHAS" por ser o homem do "pilim" e o Editor (nós próprios) "ZÉ CANGALHEIRO" porque tinha o propósito de, naquela qualidade, publicar o que fosse mais adequado e que, diga-se em boa verdade, nunca o tivesse feito.
    Há ainda que historiar a forma como começou, como progrediu graficamente, face às técnicas que ainda não existiam, o trabalho, enfim, um ror de coisas que só se avaliam comparando o que temos atualmente com o que naquele tempo ainda era desconhecido. Levanta-se, neste caso, a ponta do véu, referindo que na primeira folha  do tamanho A4, o desenho inserido no cabeçalho, da autoria do Alferes Armando Augusto Geraldes Soares, retrata a frente, junto da estrada, do aquartelamento que ocupamos em INGORÉ.
    A estas recordações voltaremos...

sábado, 12 de julho de 2025

COISAS DE BAÚS - 7

     

HISTÓRIAS DA GUINÉ

    Como ficou clarificado no anterior post, está a decorrer o aniversário das inclementes idas forçadas de jovens militares para territórios Africanos, que tinham por missão impedir que os movimentos organizados em guerra de guerrilha, que procuravam obter, pela força das armas, a almejada independência e autodeterminação da parte dominante, neste caso de Portugal.
    No que a nós diz respeito a sorte, pela força da idade, calhou-nos nos anos de 1963 a 1965. Eram dois anos de tempo de vida militar, como é demais sabido, havendo casos, conforme a especialidade, que atingiram cerca de quatro anos de ausência do país, da família, do trabalho.
    E agora restam-nos as recordações do que foi esse tempo, durante o qual também será lógico evidenciar que se criaram laços, e se fomentaram aproximações entre povos e até se constituíram famílias. E as realidades da vida quotidiana lá se  ia desenrolando, criando-se ansiedades quanto ao regresso cujo tempo parecia que nunca mais chegava ao seu términus.
    Os registos dessas recordações iam ficando em rudimentares máquinas fotográficas, como as que aqui se reproduzem. Em cada um dos registos ficam descritas algumas curiosidades, tanto no tempo (aproximado deque nos recordamos), ao modo de vida e às finalidades que representavam.

Foto obtida por volta de 1963/1964. Um edifício junto da estrada principal, a escassos três ou quatro quilómetros da fronteira com o Senegal e que nos serviu de Secretaria da Companhia que ali permaneceu cerca de um ano. O edifício fora alugado aos serviços militares por um imigrante português e que serviu de «local do nosso trabalho» administrativo, em substituição do1º Sargento, que fora evacuado para Lisboa por motivo de acidente de viação, ou seja, éramos o responsável pelo bom andamento do serviço administrativo que era adstrito à Subunidade Militar. Um possível momento de pausa, enquanto não se retomava o trabalho.

Não dá para se perceber. Mas sabemos perfeitamente o que estava nas mãos, nos braços e nos ombros. Local denominado BULA, muito conhecido por se tratar de um nó rodoviário (de terra batida) e local bastante estratégico da guerrilha, nas zonas de Mansoa, Mansabá, Binar, Bissorã. O que transportamos nos ditos membros superiores, não é nada mais, nada menos, que notas do Banco Nacional Ultramarino, entidade que era responsável  pela emissão de moeda em alguns territórios sob administração portuguesa. Como se compreende facilmente tinha acabado de fazer um levantamento, provavelmente para o pagamento do pré. 

Esta foto foi registada na estrada que liga Bissau ao Aeroporto e ficava sobranceira ao Hospital Militar. Pela aparência, será fácil deduzir que estava de licença, de trinta dias, passada relativamente afastado da guerrilha. 
E com uma vantagem; nesta Unidade de Saúde Militar prestaram serviço dois conterrâneos, um deles de Arrancada do Vouga, sobejamente conhecido; o segundo, dos lados de Casal de Álvaro componente da Banda de Música desta localidade e companheiro de trabalho na fábrica de ferragens Amaro, Lda. O Hospital, felizmente, não serviu para a cura de qualquer mal, mas com a condescendência destes dois amigos, serviu sim de hospedagem durante aqueles trinta dias.

Em conclusão, resta acrescentar que mais havia e haverá a contar. Que se guarda para melhor oportunidade .


sexta-feira, 4 de julho de 2025

COISAS DE BAÚS - 6

 O IMPÉRIO COLONIAL PORTUGUÊS

Uma história em 14 de julho de 1964

    Fazer uma explanação sobre os Impérios que existiram no mundo, não é difícil. Afloramos este caso, em particular, para afirmar que Portugal também esteve entre as potencias colonizadoras, ao lado da Inglaterra, França, Estados Unidos da América, Espanha, Bélgica, Holanda e outros países europeus que se evidenciaram na ocupação de territórios asiáticos, sul-americanos, africanos, etc..    
    Sabemos pela história a influência que Roma produziu quanto aos Impérios que dominaram o mundo, principalmente no Norte de África e Médio Oriente sendo por demais conhecidos os Imperadores Romanos que reinaram. Outros Impérios existiram aos quais a história guardou o seu bocado. O que importa, por agora, será recordar e trazer à tona das águas o papel que Portugal desempenhou no que respeita ao desenvolvimento do fenómeno que proliferou e conheceu o seu apogeu nos seculos XV, até  aos séculos XVI, XVII, XVIII e XIX .                                                                                                                                                                                                                              Bula-Guiné (Bissau) 1964
    Na realidade, este pequeno país que possuía apenas o mar para explorar, chegou a ser, já no século XX, a maior potência mundial no que se refere ao Império que dominava. Claro que importa evidenciar quais eram as possessões que só  há pouco   mais de cinco décadas se tornaram independentes por efeito  do golpe de Estado ocorrido em 25 de Abril de 1974, como é conhecido.

    Os territórios que passaram a constituir o Império Português, hoje países independentes, eram Cabo Verde,  S. Tomé e Príncipe, Guiné (Bissau), Angola, Moçambique, Macau e Timor.

 Claro que está implícito, agora, saber-se o porquê deste apontamento histórico; É que como é de mais conhecido, Portugal passou por um período longo de guerra de guerrilha, que se desenvolveu dentro daqueles territórios, apoiados por países  vizinhos ou organizações nestes instaladas, procurando "expulsar" com a força das armas o dominador. O regime político de então mantendo uma decisão em nada condizente com a evolução dos tempos e do que outros países já tinham decidido em conceder por meios pacíficos a autodeterminação e independência desses povos, mobilizou no serviço militar obrigatório todos os jovens que eram colocados a combater os movimentos de libertação em atividade naqueles territórios.

    Assim se verificou que em quase todas as  casas de um Portugal pequenino, havia alguém que era mobilizado obrigatoriamente e "enviado" para aqueles paragens distantes, sabendo-se antecipadamente que o resultado final seria sempre a negociação para uma ulterior troca de poderes.

    Foi assim que em Julho de 1965 - precisamente no dia 14 daquele mês de uma canícula não tão violenta como a que agora sentimos - nos meteram numa cargueiro que detinha o nome de «SOFALA» e, com mais umas centenas de camaradas militares dos diversos ramos das forças armadas, fomos enviados para a Guiné (Bissau). Já lá vão 60 anos!!!!

    É evidente que  esta história não acaba aqui. Antes pelo contrário, começa aqui...

    Com efeito um documento conhecido por Caderneta Militar, no qual era registada toda a carreira militar que os jovens dos anos sessenta e setenta, séc. XX , tinham percorrido nas fileiras das Forças  Armadas de Portugal.

    Ora, será lógico dizer-se que não fugimos a esta obrigatoriedade e no referido documento, além de ouros factos que não importam focar, está escrito o seguinte:

"Página 20 - Ocorrências Extraordinárias:
1963 - Nomeado nos termos da alínea c), do art.º 3.º do Dec. 42937, de 22-4-60 para servir no Ultramar. Embarcou em Lisboa em 14 de Julho com destino ao CTI da Guiné; fazendo parte da CCaç. 462. Desembarcou em Bissau a 21 de Julho, desde quando conta  100% de aumento no tempo de serviço. 1965. Embarcou em Bissau, de regresso à Metrópole, em 7 de agosto, desde quando deixa de contar 100% de aumento no tempo de serviço. Desembarcou em Lisboa em 14 do mesmo mês."

Esta nota recordatória justifica-se por estarmos próximos do dia 14 de Julho, data do aniversário deste acontecimento, que não deixa saudades.

Nota: - Na foto com uniforme de gala, pronto para desfile  que não se  realizou, porque o local, conhecido por BULA, era um importante nó rodoviário da Guiné e sito nas proximidades das instalações militares do Comando de Batalhão de Caçadores 507, em importante zona de guerrilha onde permanecemos cerca de um ano.